domingo, 28 de fevereiro de 2016

hoje é domingo...crônica da personalidade

Antes de falar do meu fim de semana e das minhas incertezas, certezas, questões filosóficas, amor, amor incorrespondido, etc vou falar do que me aconteceu faz trinta minutos....

Cheguei, deixei as malas em casa e fui aos meus pais.

Sozinho parei o carro numa bomba de gasolina para abastecer.

Absorvido nos meus pensamentos vejo alguém dirigir-se a mim.

- jovem, não tenha medo de mim, estou aqui à quase uma hora a pedir ajuda e ninguém me ouve ou me deixa aproximar.

Olhei, era um homem mais novo que eu mas com as marcas de uma vida de drogas pesadas, magro, sem dentes, pele sulcada pelas agruras das má escolhas.

- Boa tarde, claro que não tenho medo, diga...

Respondi olhando o homem nos olhos.

- Jovem, eu sou toxicodendente e seropositivo, não tenho o que comer, nem forma de apanhar o comboio para casa, não roubo, tento ser educado, mas ninguém me ajuda.

- Anda comigo - disse eu.

Entramos juntos na bomba, cheia de gente, tudo a olhar de lado para nós.

Perguntei o que queria comer, enfrentando os dois todos os olhares de repulsa.

Paguei, saímos juntos, acompanhei-o a pé até à ponte que permite ter acesso à estação de comboio.

Conversamos um pouco, falamos da vida, do futuro, de esperança.

Dei-lhe o dinheiro para o comboio, virei as costas, suspirei, caiu uma leve lágrima.

Fodasse, ser humano é sentir é transmitir as nossas emoções é viver de acordo com o nosso caráter.

Por mais que diga que vou ser mais frio, por mais que as palavras às vezes me traiam e tentem passar aquilo que eu não sou...não consigo.

Serei sempre aquele André, sensivel, que desde miúdo acreditou que o rumo correto seria sempre seguir o coração e não a razão.

Sem comentários:

Enviar um comentário