Havia um homem.
Um homem que tinha um passado, um passado que o assombrava.
Não era um cobarde, mas não era aquilo que esperava um dia ter sido.
Diretamente nunca tinha fugido de uma batalha mas tinha escolhido não participar em algumas guerras.
Sentia-se uma espécie de animal encurralado, sempre o tinha sido.
Esse animal encontra-se numa encruzilhada.
Todas as noites acordava em sobressalto, via os rostos daqueles que perdeu, daqueles que desiludiu, daquela que amou.
A tormenta era épica, partiu, isolou-se do mundo, quis descobrir o que afinal era, qual o seu papel num mundo onde as trevas todos os dias conquistavam espaço para si.
Partiu numa manhã de chuva, apenas levava consigo um livro, uma capa e a sua espada.
Afastou-se em direção ao remoto, quis estar com ele, encontrar-se no silêncio da natureza, observar e reler todo seu passado para conseguir encarar o presente e enfrentar o futuro.
Caminhou pelo mundo, fugiu dos seres humanos, enfrentou tempestades, chuva, o frio, calor, fome.
Dormiu em grutas, dormiu ao relento, apenas com a copa das árvores como proteção, comeu o que a natureza lhe proporcionava, envelheceu, o cabelo e a barba cresceram e todas as noites meditou.
Passou quase um ano, parou uma noite junto ao mar, viu o sol resplandecente, os pássaros, as força das ondas a diluírem-se nas rochas e sentiu que estava pronto a voltar a enfrentar o mundo.
Partiu, o regresso era longo, não ia evitar mais os humanos.
Descobriu que um homem para ganhar o mundo não pode perder a alma e esse equilíbrio era a chave para enfrentar as guerras que aí vinham...
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